BOLETIM INFORMATIVO 33/2007

Enviado em Boletim de Editor | 28 de Abril de 2007 @ 15:36

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EDIÇÃO ESPECIAL

INTRODUÇÃO

Em reunião da Comunidade de Cumuruxatiba realizada em 27 de abril de 2007, foi manifestada a preocupação com o processo atual de ocupação de algumas das praias de nosso Distrito.


Encontro da comunidade

As praias de Cumuruxatiba, além de servirem a nossa população, têm um papel decisivo em nossa economia, pois se constituem em um dos principais atrativos de turistas que movimentam e garantem o funcionamento dos comércios e dos empregos gerados por ele.

O NEMA CUMURU foi constituído com a finalidade de defesa do meio ambiente, principalmente em nosso Distrito. Assim sendo, devemos tomar uma posição em relação a esta questão.

A finalidade deste BLOG ESPECIAL é colocar esta questão em discussão e permitir a opinião de nossos leitores para que possamos posteriormente assumir uma postura que represente o entendimento coletivo da questão.

AS PRAIAS

Praia do Moreira


Praia do Moreira


Praia do Moreira

Uma praia onde a natureza foi generosa em belezas naturais. A praia é mansa, de águas mornas e, na maré baixa, aparecem grandes piscinas naturais nos arrecifes, povoados de peixes multicoloridos. Contornada por falésias e por coqueiros, é adequada para banho durante todas as marés. As colorações variadas de suas areias, e o barro de suas falésias acabam por produzir um cenário paradisíaco aos que tem a felicidade de conviver com ela e aos visitantes sempre bem recebidos.

Barra do Cahy


Barra do Cahy


Barra do Cahy


Barra do Cahy

A barra do Rio Cahy destaca-se não só pela fantástica beleza cênica, mas também pelo seu grande valor histórico. Foi na barra do Rio Cahy que se deu o primeiro contato entre os descobridores portugueses e os índios brasileiros. Conservou-se durante todos estes longos anos como ponto de travessia dos Pataxó que se dirigem a Aldeia Mãe de Barra Velha.

Praia do Imbassuaba


Praia do Imbassuaba

A 7 km da Vila de Cumuruxatiba, há uma enseada, cercada de coqueiros e amendoeiras, com ondas fracas e, como é comum na região, o pequeno riacho para combinar banhos de água doce e água salgada. Este pequeno riacho é o Rio Imbassuaba, quase totalmente preservado dentro da área do Parque Nacional do Descobrimento e que consegue conservar até hoje pelo menos uma espécie de peixe incluída na lista do IBAMA como ameaçada de extinção. Até a sua proximidade o acesso pode ser feito de carro por estradas de fazenda. Seu acesso no trecho é feito por uma fazenda, onde foi demarcado um caminho para a passagem dos visitantes.

A LEGISLAÇÂO

Constituição Federal

As praias marítimas são consideradas bens da União, conforme o inciso IV do artigo 20 (Título III-Capítulo II) da Constituição Federal. Esta atribuição foi mantida pela Emenda Constitucional n° 46 que alterou este inciso.

Lei Federal

A Lei n° 7.661, de 16 de maio de 1988, que instituiu o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, reafirmou em seu artigo 10° que: “As praias são bens públicos de uso comum do povo, sendo assegurado, sempre, livre e franco acesso a elas e ao mar, em qualquer direção e sentido, ressalvados os trechos considerados de interesse de segurança nacional ou incluídos em áreas protegidas por legislação específica”.

§ 1° - Não será permitida a urbanização ou qualquer forma de utilização do solo na Zona Costeira que impeça ou dificulte o acesso assegurado no caput deste artigo.

Constituição Estadual

A Constituição da Bahia, em seu artigo 214° obriga o Estado e Municípios, através de seus órgãos da Administração direta e indireta, a entre outras coisas: “garantir o amplo acesso da comunidade às informações sobre as fontes e causas da poluição e degradação ambiental…”, e “garantir livre acesso às praias, proibindo-se qualquer construção particular, inclusive muros, em faixa de, no mínimo, sessenta metros, contados a partir da linha da preamar máxima” (inciso IX). O artigo 215 estabelece como “de preservação permanente”, entre outras: os manguezais, as áreas estuarinas, os recifes de corais, as dunas e restingas e as matas ciliares.

Ministério Público

O Ministério Público define-se como órgão constitucional autônomo, inserido entre as funções essenciais à prestação jurisdicional, incumbido de zelar pela defesa da ordem jurídica, dos interesses sociais e individuais indisponíveis e do próprio regime democrático.

IBAMA

Conforme a portaria nº 230, de 14 de maio de 2002, em seu artigo 2º, cabe ao IBAMA, de acordo com as diretrizes fixadas pelo Ministério do Meio Ambiente, desenvolver as seguintes ações federais: “licenciamento ambiental de atividades, empreendimentos, produtos e processos considerados efetiva ou potencialmente poluidores, bem como daqueles capazes de causar degradação ambiental, nos termos da legislação em vigor” (Inciso IV)

RESEX

O Decreto do Presidente da República de 21 de Setembro de 2000 cria a Reserva Extrativista do Corumbau e a declara de interesse ecológico e social. A gestão desta área cabe ao Conselho Deliberativo da RESEX Corumbau conforme previsto na Lei do SNUC (nº 9.985/2000).

Universidade

O Professor Antonio Jeovah de Andrade Meireles, da Universidade Federal do Ceará - UFC, em um estudo sobre carcinicultura adverte que a utilização e a ocupação desordenada dos sistemas ambientais são responsáveis pelos riscos sócio-ambientais ao longo da zona costeira. A atuação conjunta, envolvendo os órgãos ambientais, o Ministério Público, as Universidades, as ONG’s e, principalmente, representantes das comunidades tradicionais direta e indiretamente, representam um importante passo para minimizar os danos ambientais. (Meirelles, 2005).

Nema Cumuru

O artigo 2º, dos Estatutos do Núcleo de Estudos do meio Ambiente de Cumuruxatiba, registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas em 15/12/2006, estabelece que ele tem por objetivo a defesa dos interesses difusos e do meio ambiente, através dos seguintes mecanismos: ações judiciais, representações ao Ministério Público e mobilizações populares. (Incisos I, II e III).

PROPOSTA DOS EDITORES DO BOLG


Esta é uma proposta apresentada pelos editores do blog e não reflete necessáriamente a posição do NEMA que deverá ser decidida em reunião de seu Conselho Deliberativo.


Consideramos como Meirelles (2005) que a atuação conjunta, envolvendo os órgãos ambientais, o Ministério Público, as Universidades, as ONG’s e, principalmente, representantes das comunidades tradicionais, seja o melhor caminho para minimizar os danos ambientais de possíveis empreendimentos envolvendo os recursos naturais da região.

Seria fundamental que a Comunidade de Cumuruxatiba, conheça os projetos que venham a afetar o convívio habitual com qualquer das praias de nosso distrito. As colocações de porteiras ou o isolamento de áreas tradicionalmente usadas pela população deve ser sempre precedido de um encontro com as comunidades onde sejam explicadas as razões destes procedimentos.

Veja mais sobre nossas praias.(clique aqui)

Gostaríamos de solicitar a nossos leitores que façam comentários colocando suas opiniões. Estas opiniões nos irão ajudar a tomar um posição justa e equilibrada.

11 respostas to 'BOLETIM INFORMATIVO 33/2007'

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  1. miguel disse,

    on 28 de Abril de 2007 @ 17:38

    Faço votos para que isto não aconteça. É de fundamental importancia para o turismo ( sem esquecer todos nos que moramos em Cumuruxatiba) ter livre acceso a todo o litoral.
    A imposibildade de entrar para a Barra do Cahy via a fazenda da Barra do Cahy foi o primeira interdição e não devemos permitir que essa prohibição se faça extensiva a outras belezas naturais que se encontram no nosso litoral

  2. Jeovah Meireles disse,

    on 29 de Abril de 2007 @ 14:33

    Prezado Editor.
    Temos muitas experências acumuladas através de nossos projetos de pesquisas relacionados com os danos socioambientais de grandes empreendimentos ao longo do litoral cearense e vinculados ao Departamento de Geografia da UFC. ocuparam dunas, falésias, lagoas e manguezais. Ocorram grilagem de terras indígenas e de pescadores. Danos de levada magnitude à biodiversidade e às comunidades tradicionais. Estamos atentos à luta do NEMA-CUMURU e nos colocamos dispostos a colaborar. Um outro mundo é possível!!!… e necessário.
    Jeovah Meireles
    Depto. de Geografia da UFC
    Mestrado em Geografia
    Forum em Defesa da Zona Costeira do Ceará - FDZCC

  3. Esther disse,

    on 30 de Abril de 2007 @ 12:40

    Resposta do comprador de uma parte do Imbassuaba:
    Realmente não fechamos as praias.

    Pelo nosso terreno passam principalmente pescadores, bem como preservamos todas as servidões.

    O sitio e a comunidade local:

    Trabalhos feitos:

    1- Estamos recuperando uma represa construída pelo Sr. Preto em nosso terreno momentos antes da nossa

    compra.

    Do modo como a represa foi construída, houve um assoreamento do Rio Camarão por erosão, pois utilizaram

    a camada vegetal do campo que para construir o dique.

    2- Numa primeira etapa, plantamos 1000 mudas de arvores nativas para recompor a mata ciliar cortada no passado.

    Estas mudas foram também plantadas em áreas dos nossos vizinhos, os quais estamos conscientizando da preservação,

    bem como da descontinuação da prática de queimadas.

    3- Construímos um banheiro e respectiva fossa na casa do nosso vizinho (carente), atividade que estaremos dando

    continuidade na comunidade local.

    4- Estamos plantando aproximadamente 1600 mudas de 430 espécies de frutas distintas, ou seja, Cumuruxatiba abrigará

    um dos hortos mais completos do Brasil.

    Nossa idéia no futuro é abrir este horto a visitantes, para que conheçam a diversidade de espécies frutíferas brasileiras.

    Atenciosamente,

    Ernesto


  4. on 30 de Abril de 2007 @ 14:59

    Reproduzimos a importante resposta do Sr Ernesto no blog Praias :
    http://cumuruxatiba-praiaparatodos.blogspot.com/


  5. on 1 de Maio de 2007 @ 17:49

    Professor Jeovah Meireles

    Agradecemos sua atenção e oferecimento. Fique também à vontade para nós escrever. Achamos fundamental o papel das Universidades na busca por soluções de desenvolvimento que sejam ambientalmente corretas.

  6. Ana Lúcia Jordão Lemos disse,

    on 2 de Maio de 2007 @ 13:21

    Adorei receber as notícias e imagens do bonito movimento de vocês.
    Continuem plantando estas sementes que fazem nascer a participação organizada da população. Esta ousadia faz crescer .a diginidade de um povo e a certeza de que somos capazes de gerar mudanças e criar o mundo que sonhamos e desejamos.

    Ana Lúcia Jordão Lemos
    Movimento pela Preservação da Reserva Ecológica Mun.Darcy Ribeiro.

  7. Ana Paula Madeira disse,

    on 3 de Maio de 2007 @ 16:29

    Bonito trabalho da comunidade. É preciso haver manifestação e a união do povo para que sejam cumpridas as leis nesse país.
    Vamos em frente. É direito nosso o livre acesso a todo o litoral.

  8. Danieli disse,

    on 4 de Maio de 2007 @ 15:58

    É isso mesmo!! o Nema a favor da comunidade!!! Não queremos nossas praias privatizadas!! Isso não existe é CRIME!!!! e por isso vamos lutar para que esse crime não prevaleça!

    Quremos Cumuru do jeitinho que está! A nossa comunidade não pode ser substituída! Os nossos pescadores precisam PESCAR!!! Tudo isso deve ser levado em consideração, precisamos ter acesso ao que é nosso!

    Vamos PRESERVAR Cumuru!!!!!

  9. Ana Carolina disse,

    on 6 de Maio de 2007 @ 20:51

    É proibido por lei construir qualquer coisa a determinados metros da praia, a maior parte das pessoas não cumpre essa lei, mas até agora ninguém foi impedido de utilizar a praia. Isso é errado, é contra a lei. Os famosos recifes de coral demoram milhares de anos para se formar. A construção de um Resort irá danificar todo o recife e a população também. Como uma pessoa estranha chega e diz que não se pode mais utilizar a praia? Como você explica isso para uma pessoa nativa que passou a sua infância naquela praia? Como um estranho põe placas intituladas “proibida a passagem”? Quem fará algo a respeito? Se a população não se mobilizar todos pagarão o preço. Ninguém quer perder o acesso à praia. Pode-se dizer que o futuro das praias de Cumuru só depende de nós.

    OBS.: O “BOLETIM INFORMATIVO” está intitulado como se fosse de 2006.


  10. on 7 de Maio de 2007 @ 22:37

    Queridos Ronaldo e Luiza, e prezados membros do NEMA-CUMURU,

    Parabéns por tão dedicado, amoroso e importante trabalho em prol do meio ambiente e da comunidade de Cumuru. Assim que eu terminar meu mestrado, tentarei contribuir de alguma forma com vocês.

    A propósito, planejo levar um grupo de caminhantes ecológicos a Cumuruxatiba no mega-feriado de 15 a 20 de novembro. Devemos fazer uma caminhada de Prado até Barra do Cahy durante estes dias. A visita ao NEMA será questão de honra, caso confirmemos a viagem.

    Muita luz, força e paz para todos vocês!

    Abraços,
    Cássio Garcez

    Coordenador do Ecoando - Ecologia & Caminhadas

  11. Daniii disse,

    on 24 de Maio de 2007 @ 16:20

    Oie!!!!!!!!!!Aniversario do Nema???!!! Parabens pra todos… E eu tb!! heheheh…. Pena q eu não vo poder estar aí juntos a vcs!!! Saudadeds….

    bjãOoo

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